Anexectomia: o que é e quando é indicada?

Postado em: 09/01/2026

Anexectomia: o que é e quando é indicada?

A anexectomia é uma cirurgia ginecológica que envolve a retirada dos ovários e/ou das trompas uterinas. Embora o nome possa soar assustador à primeira vista, trata-se de um procedimento bem estabelecido, indicado em situações clínicas específicas e sempre avaliado de forma individualizada.

Se você recebeu essa indicação ou está buscando entender melhor o tema, este artigo foi escrito para ajudar. Aqui você vai encontrar uma explicação sobre o que é a cirurgia, em quais situações ela pode ser necessária e quais impactos ela pode trazer para a saúde hormonal e reprodutiva.

O que é anexectomia?

Os anexos uterinos são as estruturas localizadas ao redor do útero: os ovários e as trompas. A anexectomia é a cirurgia que remove um ou ambos esses órgãos, dependendo da indicação médica.

O procedimento pode ser realizado de forma isolada ou associado a outras cirurgias ginecológicas, como a histerectomia (retirada do útero). A decisão sobre quais estruturas serão removidas depende do diagnóstico, da condição clínica da paciente e do seu momento de vida.

Qual a diferença entre anexectomia unilateral e bilateral?

Na anexectomia unilateral, apenas um lado é retirado, ou seja, um ovário e/ou uma trompa. Esse é o tipo mais comum em condições que afetam somente um dos anexos, como cistos isolados ou gravidez ectópica em uma única trompa.

Já na anexectomia bilateral, ambos os lados são removidos. Essa abordagem tem impacto direto sobre a produção hormonal e a fertilidade, já que os ovários são responsáveis pela produção de estrogênio e progesterona. Por isso, a decisão exige uma avaliação cuidadosa, considerando a idade e os objetivos reprodutivos da paciente.

Quando a anexectomia pode ser indicada?

A indicação da anexectomia depende sempre de uma avaliação médica detalhada. As situações mais comuns em que ela pode ser considerada incluem:

  • Suspeita ou confirmação de câncer de ovário ou de trompa: a remoção cirúrgica faz parte do tratamento oncológico;
  • Endometriose ovariana avançada: quando a doença compromete gravemente os ovários e não responde a outros tratamentos;
  • Abscesso ovariano: infecção grave que pode exigir a retirada do ovário afetado para controle do quadro;
  • Gravidez ectópica complicada: quando o embrião se desenvolve na trompa e há risco de ruptura;
  • Dor pélvica crônica refratária: em casos específicos, após esgotamento de outras abordagens;
  • Alterações suspeitas na pós-menopausa: achados em exames de imagem que exigem investigação cirúrgica.

Em condições benignas, é sempre necessário retirar os ovários?

Não necessariamente. Em muitas situações benignas, é possível preservar os ovários e retirar apenas as trompas, especialmente em mulheres jovens com desejo reprodutivo. Essa decisão é tomada com base na extensão da condição, na saúde geral da paciente e em uma avaliação individualizada. A conservação ovariana, quando segura, ajuda a manter a função hormonal natural.

Quais são os possíveis impactos da retirada dos ovários e trompas?

Os impactos variam conforme o tipo de anexectomia realizada.

Quando apenas as trompas são retiradas, a função hormonal e o ciclo menstrual geralmente não são afetados. No entanto, a gestação natural fica comprometida, já que as trompas são o caminho pelo qual o óvulo percorre até o útero.

Já a retirada bilateral dos ovários leva à chamada menopausa cirúrgica, uma interrupção abrupta da produção de estrogênio e progesterona. Isso pode trazer sintomas como ondas de calor, alterações de humor e impactos ósseos e cardiovasculares a longo prazo. Nesses casos, o acompanhamento médico é fundamental, e a necessidade de reposição hormonal deve ser avaliada individualmente.

A anexectomia unilateral, por sua vez, costuma preservar a função hormonal, já que o ovário remanescente continua produzindo hormônios.

Quando procurar avaliação com ginecologista?

Alguns sinais e situações indicam que uma avaliação especializada não deve ser adiada:

  • Dor pélvica persistente ou que piora ao longo do tempo;
  • Alterações identificadas em exames de imagem (ultrassom, ressonância);
  • Histórico familiar de câncer ginecológico;
  • Diagnóstico de gravidez ectópica ou suspeita de abscesso pélvico;
  • Endometriose com comprometimento ovariano.

A decisão de realizar uma anexectomia nunca deve ser tomada sem uma consulta especializada. Cada caso tem características únicas, e a indicação cirúrgica precisa considerar a condição clínica, a idade e os objetivos da paciente.

FAQ — Perguntas frequentes

Anexectomia é a mesma coisa que histerectomia?

Não. A histerectomia é a cirurgia de retirada do útero, enquanto a anexectomia é a retirada dos ovários e/ou trompas. Os dois procedimentos podem ser realizados juntos ou separadamente, dependendo da indicação clínica.

A anexectomia causa menopausa?

Somente quando há retirada bilateral dos ovários. Nesse caso, a menopausa ocorre de forma imediata, independentemente da idade da paciente. A anexectomia unilateral, em geral, não causa menopausa, pois o ovário restante continua funcionando.

É possível engravidar após anexectomia?

Depende do que foi retirado. Se apenas uma trompa foi removida e o ovário está preservado, a gestação natural ainda pode ser possível. Já na retirada bilateral dos ovários, a gravidez natural não é viável. Cada situação deve ser discutida com o médico antes e após o procedimento.

Avaliação individualizada e próximos passos

A anexectomia é uma cirurgia ginecológica segura e bem indicada em diversas situações clínicas, mas que exige sempre uma avaliação cuidadosa e personalizada. Fatores como idade, desejo reprodutivo, extensão da condição e saúde geral influenciam diretamente na decisão sobre quais estruturas serão preservadas ou removidas.

A Dra. Tânia Schupp, com formação, mestrado e doutorado pela FMUSP, realiza cirurgias ginecológicas por laparoscopia e robótica. Se quiser entender melhor as possibilidades para o seu caso, agende uma consulta.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.


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