Curetagem Uterina: como é feita e quais são os riscos?
Postado em: 04/02/2026

A curetagem uterina é um dos procedimentos ginecológicos mais realizados na prática clínica. Apesar de ser relativamente comum, é natural que o nome gere dúvidas. Entender o que é, quando é indicada e como funciona ajuda a enfrentar essa etapa com mais tranquilidade.
Neste artigo, você vai encontrar uma explicação clara sobre o procedimento, seus riscos reais e o que esperar durante a recuperação.
O que é a curetagem uterina e quando ela é indicada?
A curetagem uterina é um procedimento que consiste na remoção de tecido da cavidade uterina, seja para fins diagnósticos ou terapêuticos. Em outras palavras, a médica acessa o interior do útero para remover um conteúdo específico que precisa ser retirado ou analisado.
As principais situações em que ela pode ser indicada incluem:
- Abortamento incompleto: quando parte do tecido gestacional permanece no útero após uma perda;
- Sangramento uterino anormal: para investigar a causa de sangramentos irregulares ou intensos;
- Alterações do endométrio: como pólipos ou espessamento uterino identificados em exames.
Um ponto importante: a curetagem não é um tratamento para endometriose. Embora a condição afete o útero e cause sintomas como sangramento irregular, ela tem abordagem própria. Se houver suspeita de endometriose, a investigação e o tratamento seguem um caminho um pouco diferente, que deve ser discutido com sua ginecologista.
Como é feita a curetagem uterina?
O procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou clínico adequado, geralmente sob anestesia local, sedação ou anestesia geral, conforme a avaliação médica e o contexto clínico de cada paciente.
As etapas básicas envolvem:
- Anestesia: para garantir conforto e segurança durante o procedimento;
- Dilatação do colo do útero: abertura gradual para acesso à cavidade uterina;
- Remoção do conteúdo uterino: com instrumento específico (cureta) ou por aspiração.
Na maioria dos casos, a paciente recebe alta no mesmo dia, sem necessidade de internação prolongada.
Qual a diferença entre curetagem e AMIU?
A AMIU (Aspiração Manual Intra-Uterina) é uma técnica alternativa que utiliza aspiração manual para remover o conteúdo uterino, em vez de instrumentos cortantes. Em determinadas situações, ela é considerada menos invasiva. A escolha entre curetagem convencional e AMIU depende da avaliação clínica individualizada, levando em conta o quadro da paciente.
Quais são os riscos da curetagem uterina?
Como qualquer procedimento médico, a curetagem uterina envolve riscos. Conhecê-los de forma proporcional é importante para tomar decisões informadas, sem alarmismo.
Os principais riscos incluem:
- Infecção uterina: risco presente em qualquer procedimento que envolva acesso à cavidade interna;
- Perfuração uterina: complicação muito rara, mas possível, que pode exigir acompanhamento adicional;
- Aderências intrauterinas: formação de cicatrizes internas (síndrome de Asherman), mas incomum de acontecer.
Esses eventos são incomuns quando o procedimento é bem indicado e realizado por profissional experiente. O acompanhamento adequado antes, durante e depois é importante para reduzir os riscos.
Como é a recuperação após a curetagem?
O pós-procedimento costuma ser breve. Nos primeiros dias, é esperado:
- Sangramento leve ou escape;
- Cólicas semelhantes às menstruais;
- Cansaço e sensação de desconforto leve.
O repouso leve é recomendado por um curto período, evitando esforço físico intenso. As orientações específicas sobre atividades, retorno ao trabalho e cuidados devem ser seguidas conforme as orientações individuais do médico que acompanha o caso.
Quais sinais exigem avaliação médica?
Fique atenta a sinais que fogem do esperado e que pedem avaliação imediata:
- Febre persistente;
- Dor intensa que não melhora;
- Sangramento excessivo ou que piora com o tempo;
- Corrimento com odor forte.
Esses sinais indicam a necessidade de uma avaliação médica para garantir a segurança da paciente.
Quando procurar avaliação ginecológica?
Se você está com sangramento uterino anormal persistente, suspeita de abortamento incompleto ou apresenta qualquer um dos sinais de alerta mencionados, a avaliação ginecológica não deve ser adiada.
Mesmo fora de situações de urgência, condições como alterações do endométrio ou sangramentos irregulares merecem investigação. O diagnóstico correto é o que define se a curetagem é, de fato, a conduta mais adequada para o seu caso — ou se outra abordagem faz mais sentido.
FAQ — Perguntas frequentes
A curetagem uterina pode afetar a fertilidade?
Na maioria dos casos, a curetagem não compromete a fertilidade. As complicações que poderiam interferir na capacidade reprodutiva, como aderências intrauterinas, são raras e estão associadas a situações específicas.
Quanto tempo depois da curetagem a menstruação volta?
O ciclo menstrual pode levar algumas semanas para se regularizar após o procedimento. É comum que o primeiro ciclo seja diferente do habitual. Variações são esperadas e consideradas normais, mas ciclos muito irregulares ou ausentes por muitos meses merecem avaliação.
É preciso internação para fazer curetagem?
Na maioria das situações, a curetagem é um procedimento de curta permanência. A paciente geralmente recebe alta no mesmo dia, após o período de observação.
Avaliação segura e individualizada faz a diferença
A curetagem uterina é um procedimento bem estabelecido, com indicações precisas e atenção à segurança da paciente, quando realizado de forma correta por um profissional experiente. A decisão de realizá-la deve sempre partir de uma avaliação clínica individualizada.
Se você recebeu indicação de curetagem uterina ou está com sangramento uterino anormal, agende uma avaliação ginecológica completa com a Dra. Tânia Schupp.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
